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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Números do câncer de próstata ainda são altos por tabu com exame

Martinho da Vila e o cantor Luciano lembram importância de terem feito exame e prevenção. Em 2014, 69 mil novos casos devem ser diagnosticados.


Nesta segunda-feira (17), é o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata, uma doença que pode ser descoberta, no começo, por um exame do qual muito homens ainda têm medo, mas que é muito simples e rápido: o toque retal.
O Instituto Lado a Lado, com apoio da Sociedade Brasileira de Urologia, está promovendo a campanha "Novembro Azul", para conscientizar a população masculina.
O Brasil está azul. A iluminação, em pontos turísticos espalhados pelo país, é bonita, mas serve para lembrar uma realidade não tão bela para os homens brasileiros.

“Excluído o câncer de pele, o tumor maligno da próstata é o tumor mais frequente na faixa dos 50 anos de idade do homem”, explica o médico William Nahas.

Em 2012, ano dos dados mais recentes, foram mais de 13 mil mortes, no Brasil, por causa da doença. E a estimativa é que, este ano, ao todo, 69 mil novos casos sejam diagnosticados. E não é só no Brasil. Um a cada seis homens no mundo terá câncer de próstata. Por que números tão altos?

“Porque existe um tabu. O homem se sente agredido ou violentado para fazer um exame, que é o toque prostático. É um exame que dura dois, três segundos, não tem sentido”, responde o médico.

Segundos que podem salvar vidas. Márcio, Levy e o cantor Martinho da Vila descobriram a doença em estágio inicial, quando ainda não há quase nenhum sintoma.

Márcio Natividade conta que nunca tinha feito o exame de toque: “Fazer o exame de sangue era o máximo, exame de toque, nem pensar. E a situação estava gravíssima.”

A mulher de Levy explica que o exame de toque foi uma das grandes dificuldades dele: “Eu marquei três consultas pra ele e ele não foi em nenhuma das três.”

“Eu tinha 41 anos, ninguém imaginaria que ia acontecer com uma pessoa dessa idade. Esse câncer é extremamente silencioso. Meu avô teve, eu tive, Meu pai teve”, diz Levy Taieti.

Martinho da Vila lembra que se não tivesse feito o exame, não teria feito a cirurgia: “Quando eu fosse detectar a doença, quando eu estivesse já com os sintomas, aí, a cirurgia seria mais complicada.”

Outros procedimentos também devem ser feitos. “Os exames são, basicamente, toque retal da próstata e o PSA, exame de sangue, em que vai se medir essa quantidade dessa substância que vai dizer se o paciente tem mais risco ou menos risco do câncer de próstata.”, explica o médico Cláudio Murta.

A próstata é uma glândula que fica abaixo da bexiga do homem. A principal função é produzir parte do líquido do sêmen. Esse líquido possui uma proteína chamada PSA. Quando há alguma alteração nas células da próstata, o PSA pode cair na corrente sanguínea em maior quantidade que os níveis normais e indicar a existência de um tumor. Já o toque retal pode revelar o crescimento anormal da glândula, o que também pode ser um indício de câncer. Se os dois exames juntos levantarem a suspeita, deve ser feitam também a biópsia, que é a retirada de pequenos pedaços do tecido para verificação em laboratório.

“Tira o fragmento e a gente analisa. Você dá uma nota 1 pro mais bonzinho e uma nota 5 pro mais agressivo”, diz Roni Fernandes.

No hospital, os homens fazem exames e, quando é diagnosticado câncer de próstata, eles são encaminhados para tratamento. O momento do diagnóstico é difícil, mas quanto antes ele acontecer, melhor.

Eduardo e Nilton fizeram os testes por insistência da família. Não sentiam nada, mas os exames apresentaram alterações. Agora, vão fazer a biópsia.

“Minha mãe que sempre falou: Carol, tem que marcar médico pro seu pai. Fazia muitos anos que ele não ia num urologista”, conta filha do Sr. Nilton.

Seu Nilton Pereira fala da ansiedade: “Meu coração tá a milhão, né? É muito ruim mesmo porque não é fácil, não é fácil.”

Sr. Eduardo também nunca tinha feito o exame de toque antes: “Hospital, nunca passou na minha cabeça de ir. Só caso de emergência mesmo. Se eu pudesse voltava uns 15 anos atrás, tinha feito isso aí mil vezes já. É pedir pra Deus que corra tudo bem. Só isso!”, diz, emocionado.

O tratamento depende do estágio do câncer, conforme explica o dr. William:

“Vai desde o acompanhamento e, num caso mais intenso, em que a doença está espalhada, um controle hormonal da doença que você não pode curar o indivíduo, mas controlar a doença por um período. Então, você tem desde a cirurgia, que é remoção do tecido doente, ou a destruição desse tecido doente, através da radioterapia.”

Segundo o dr. Cláudio, a cirurgia é necessária quando a gente amplia e remove a próstata, tomando cuidado com algumas coisas:

“Principalmente, com os nervos que vêm pro pênis e que promovem a ereção. E com esse músculo, que é o esfincter, que é o que segura a urina. Dois problemas que a cirgurgia pode causar: a disfunção erétil e perda de urina.  A vida sexual preservada, você vai ter naqueles indivíduos que a doença tá lá dentro da próstata, não tá agredindo as estruturas ao lado.
O cantor Luciano sentiu dores por causa de um pelo encravado na região da próstata. “O médico falou: Tem que fazer o exame de toque para ver o que tá acontecendo. Com 38 anos, já fiz o primeiro exame de próstata. Eu não entendo isso de, de repente, a pessoa ter preconceito. Eu estou com 42 anos e o exame, é recomendado a partir dos 50, mas vamos fazer com 45,”diz Luciano.

Márcio se considera curado: “Não tenho nenhuma sequela, não fiquei com incontinência, não fiquei impotente.”

“O importante é ter a consciência de que se está livre da doença,” conclui Levy.

“Eu acho que todos colegas que fizeram devem falar nas conversas de bar porque fazendo isso, nós estamos ajudando muita gente, ajudando mesmo a salvar vidas,” aconselha Martinho da Vila.

Fonte: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2014/11/numeros-do-cancer-de-prostata-ainda-sao-altos-por-tabu-com-exame.html