O presidente americano, Donald Trump, disse que vai governar a Venezuela e que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. Ao mesmo tempo, afirmou negociar Rodríguez sobre os próximos passos, não descartando uma invasão aberta contra o país sul-americano.
Após os ataques, há muita incerteza sobre os rumos do regime, e um dos nomes que está nos holofotes é o de Delcy Rodríguez. Uma reportagem do jornal americano The New York Times disse que Rodríguez já foi empossada como sucessora de Maduro em uma cerimônia em Caracas neste sábado.
Rodríguez, entretanto, disse no pronunciamento que Maduro é "o único presidente" da Venezuela. Ela pediu ainda calma ao país em meio ao "sequestro" do ditador.
Em um áudio divulgado pela TV estatal venezuelana pela manhã, ela informou que o paradeiro de Maduro e de sua esposa é desconhecido. Também exigiu prova imediata de vida do líder venezuelano e da primeira-dama Cilia Flores.
Mais tarde, o governo americano divulgou a informação de que Maduro e Flores estavam a caminho de Nova York, onde o ditador será julgado por vários crimes, incluindo narcoterrorismo. Também divulgou uma foto na qual Maduro aparece de moletom, com olhos vendados, abafadores no ouvido e segurando uma garrafa d'água.
De acordo com o Clarín, quatro fontes informaram que Delcy Rodríguez estaria na Rússia após a captura de Maduro. No entanto, o país desmentiu a informação, segundo a agência de notícias russa Tass.
Delcy Rodríguez nasceu em Caracas, em 18 de maio de 1969. Uma das aliadas mais próximas de Maduro, foi ministra da Comunicação entre 2013 e 2014 e chanceler entre 2014 e 2017. Formada em direito, em 2017 foi presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.
Em 2018, ao apontá-la como vice, o ditador venezuelano escreveu em uma rede social: "Nomeio como vice-presidente uma jovem mulher, corajosa, aguerrida, filha de mártir, revolucionária e aprovada em mil batalhas."
Desde 2013, junto com o irmão, Jorge Rodríguez, Delcy ganhou espaço e um lugar privilegiado na chamada "nomenklatura" —expressão soviética para designar a cúpula do poder— venezuelana. Os irmãos foram responsáveis pela maioria das medidas relacionadas à parte civil do regime, assim como pela construção de seu discurso ideológico.
Jorge, que também fez parte do gabinete de ministros de Maduro, é ex-vice de Hugo Chávez. Seu pai, Jorge Antonio, foi morto aos 34 anos, e virou um símbolo dos chavistas. Ele foi guerrilheiro marxista e um dos dirigentes do MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária).
Delcy tinha 6 anos quando o pai morreu e costuma dizer que a Revolução Bolivariana é uma continuação da luta do pai. "Aqueles que te tiraram do caminho não sabiam que estavam abrindo milhões de caminhos de redenção para a nossa pátria", disse, num discurso.
Leal a Nicolás Maduro, a vice-líder sempre foi vocal nas críticas contra a oposição. Em dezembro de 2025, quando María Corina Machado foi laureada com o Nobel da Paz, em Oslo, Delcy comparou a cerimônia a um funeral, ao ironizar a ausência da opositora.
"Hoje, bem cedinho, vendo o que aconteceu na Noruega, eles foram a um velório, porque aquilo parecia um velório, era um velório, um fracasso, fracasso total, o show fracassou, a senhora não apareceu".
Além de vice e ministra das Finanças, desde agosto de 2024 Delcy também comanda o Ministério do Petróleo, encarregada de administrar as crescentes sanções dos EUA sobre a indústria mais importante do país.
Fonte: https://www.bahianoticias.com.br/folha/noticia/372529-vice-de-maduro-com-quem-trump-diz-negociar-diz-que-venezuela-jamais-sera-colonia