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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

ONU faz aviso alarmante sobre o agravamento do aquecimento global

O agravamento do aquecimento global é um assunto sério que todo mundo já está careca de tanto ouvir falar. Mas nem por isso encontramos soluções ou mudamos atitudes que possam pelo menos desacelerar esse quadro.
Os riscos de passarmos por mudanças climáticas são tão profundos que poderiam parar ou até mesmo reverter todo o progresso que a humanidade fez até agora contra a pobreza e a fome. É isso o que diz o último relatório das Nações Unidas.
De acordo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, realizado ontem, apesar dos esforços crescentes de muitos governos para combater o problema, a situação global está se tornando mais aguda conforme os países em desenvolvimento se juntam ao Ocidente na contramão, queimando enormes quantidades de combustíveis fósseis.

Mas qual seriam as consequências?

Bem trágicas, na verdade.
Segundo o grupo de cientistas e outros especialistas que participaram do encontro, se a redução nas emissões de gases estufa não acontecer muito em breve, poderíamos passar por mudanças que ameaçariam a sociedade com a escassez de alimentos, crises de refugiados, inundação de grandes cidades e algumas nações inteiras, extinção em massa de plantas e animais e um clima tão drasticamente alterado que poderia ser perigoso para as pessoas trabalhar ou simplesmente ficar ao ar livre durante as épocas mais quentes do ano.
O novo relatório da ONU deixa bem claro que a “continuação na emissão de gases estufa implica em mais aquecimento e mudanças de longa duração em todos os componentes do sistema climático, aumentando a probabilidade de impactos severos, invasivos e irreversíveis para as pessoas e os ecossistemas”.

Qual é a novidade?

Se você não mora em uma caverna, provavelmente já ouviu falar em todas essas coisas e consequências terríveis. Então o que mudou nesse novo relatório da ONU?
Bom, se isso sempre foi falado e nenhuma medida realmente eficiente foi tomada, você já pode imaginar que o cenário está ficando cada vez mais complicado. Para expressar a gravidade da situação, o relatório usa um tom alarmante nunca antes usado. Durante o painel, os especialistas, mais do que das outras vezes, fizeram questão de deixar bem claro o quanto a sociedade está em perigo se uma política séria de controle do agravamento do aquecimento global não for colocada em prática imediatamente.

Ações

Isso exigiria deixar a grande maioria das reservas mundiais de combustíveis fósseis no solo ou, uma alternativa, investir no desenvolvimento de métodos para capturar e enterrar as emissões resultantes da sua utilização, disse o grupo.
Se os governos se comprometerem a atender suas próprias metas de limitar o aquecimento do planeta a não mais de 2 graus Celsius, devem restringir as emissões provenientes de combustíveis fósseis adicionais para queima de cerca de 1 trilhão de toneladas de dióxido de carbono, disse o painel. Se seguirmos nas taxas de crescimento atuais, esse orçamento é susceptível de ser esgotado em algo em torno de 30 anos, possivelmente antes.
No entanto, as empresas de energia têm preservado reservas de carvão e de petróleo equivalentes a várias vezes esse valor, e eles estão gastando cerca de US$ 600 bilhões por ano para encontrar mais. Nesse mesmo barco, então as empresas de petróleo que continuam construindo usinas e refinarias de energia movidas a carvão, e os governos que estão gastando mais US$ 600.000.000.000 (desse jeito os zeros vão entrar em extinção também) ou subsidiando diretamente o consumo de combustíveis fósseis.
Por outro lado, como o relatório também constatou, menos de US$ 400 bilhões por ano estão sendo gastos em todo o mundo para reduzir as emissões ou com alternativas de outras formas de lidar com essa tão temida (e real) mudança climática. Essa é uma pequena fração da receita gasta em combustíveis fósseis – e é menor, por exemplo, do que a receita de uma única empresa petrolífera como americana ExxonMobil.

Parece que não estamos remando para o lado certo

“A ciência tem falado e não há ambiguidade em sua mensagem”, disse Ban Ki-moon, secretário geral das Nações Unidas. “Os líderes devem agir. O tempo não está do nosso lado”, completou.
No entanto, não houve nenhum sinal de que os líderes nacionais estejam dispostos a discutir a atribuição do orçamento de emissões de trilhões de toneladas entre os países. Aliás, muito pelo contrário. Eles estão se movendo em direção a um acordo relativamente fraco que seria, essencialmente, deixar que cada país decida por si próprio o quanto de esforço deve colocar em limitar o agravamento do aquecimento global – e mesmo esse documento, que mais parece uma piada, não entraria em vigor até 2020.
“Se optarem por não falar sobre o orçamento de carbono, eles estarão optando por não resolver o problema da mudança climática”, disse Myles R. Allen, cientista do clima na Universidade de Oxford, na Grã-Bretanha, que ajudou a escrever o novo relatório. “Eles também não podem não se incomodar e virar as costas para essas reuniões”, alerta.

Fonte: http://hypescience.com/agravamento-do-aquecimento-global/