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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Joãozinho da Gomeia


Pai-de-santo gerou polêmica, nos anos 50, ao assumir o homossexualismo e criticar famosas ialorixás.


Não era por ele ser homossexual. O que mais chocava o povo-de-santo daquele tempo era mesmo a ousadia do babalorixá Joãozinho da Goméia, nascido João Alves Torres Filho, em Inhambupe, em 1914. Ele desafiava a opinião pública ao dançar na noite em cabarés ou desfilar vestido de mulher, como fez no Carnaval de 1956. E quando o assunto era candomblé, o sacerdote não deixava por menos: era capaz de questionar, publicamente, qualquer ialorixá famosa do país. Desta forma, ganhou a mídia e, até a sua morte prematura, em 1971, virou referência para o culto afro, especialmente no Sudeste do Brasil.
Rei transgressor do candomblé

Joãozinho da Goméia fez história ao assumir publicamente a condição de homossexual.
Uma figura exuberante entra no baile do Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro. Plumas na cabeça, maquiagem no rosto, maiô justinho ao corpo, sapato de salto plataforma, pernas bem torneadas, envolvidas por uma meia-arrastão. O pai-de-santo Joãozinho da Goméia vestiu-se para brilhar no Carnaval de 1956, fantasiado da vedete Arlete. Os flashes dos fotógrafos pipocavam à sua passagem. Mas o sucesso da fantasia não foi unânime. Os umbandistas cariocas e as mães-de-santo mais tradicionais da Bahia ficaram indignados com a ousadia do babalorixá (pai-de-santo). Para eles, um sacerdote não podia se expor dessa forma, em pleno Carnaval. Joãozinho não ligou. "Serei eu, porventura, o primeiro Adão com o vestido da costela que apareceu no Rio de Janeiro?", respondeu, irônico. Ele não deixava de fazer o que queria por medo de cara feia. Era amigo da polêmica, do espetáculo, dos holotofes. No terreiro, no teatro, na imprensa, Joãozinho da Goméia era uma estrela.
Foi com talento, sorte e inteligência que o jovem pai-de-santo baiano, nascido na cidade de Inhambupe, conseguiu vencer todos os preconceitos e se transformar no babalorixá mais famoso do país, durante as décadas de 1950 e 1960. Primeiro, ele se estabeleceu em Salvador, na Rua da Goméia, em São Caetano, de onde veio o apelido. Depois, fundou uma filial na cidade de Duque de Caxias. Lá, ganhou o apelido de "o rei do candomblé". Sua clientela incluía artistas, autoridades, pessoas da alta sociedade carioca. Dizem que até presidentes da República, como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek estavam na sua lista de amigos e clientes. Além dos amigos poderosos, a personalidade forte de Joãozinho e seu talento para o espetáculo começaram a atrair as atenções da imprensa. Ele saiu diversas vezes na revista O Cruzeiro, a publicação mais importante da época.
A fama trouxe prestígio e uma vasta clientela, que lotava seu terreiro. Ao mesmo tempo, porém, Joãozinho da Goméia colecionou desafetos. Sua maneira de agir, muitas vezes transgressora, batia de frente com os puristas das religiões afro-brasileiras, que exigiam um comportamento mais discreto do babalorixá. Além disso, pairavam dúvidas sobre sua iniciação no candomblé que, segundo alguns, não teria sido feita conforme a tradição. Mesmo com o estrondoso sucesso no Rio, Joãozinho não mantinha uma boa relação com as casas mais conhecidas de Salvador. Isso pode ser explicado, em parte, porque a maioria das casas baianas mais conhecidas é da nação jeje-nagô, enquanto Joãozinho era da nação Angola. Há uma certa rivalidade entre as duas correntes religiosas. Dos terreiros mais famosos de Salvador atualmente, apenas o do Bate Folha é da nação Angola.
Mesmo os babalorixás (pais-de-santo) e ialorixás (mães-de-santo) que não simpatizavam com a sua figura, porém, têm hoje que reconhecer: Joãozinho da Goméia foi o grande responsável pela expansão do candomblé no Sudeste do país, a partir da década de 1950. Ele formou milhares de filhos-de-santo, que criaram novos terreiros em São Paulo e no Rio de Janeiro. Essas casas de candomblé apresentam-se orgulhosamente, ainda hoje, como fazendo parte do "modelo Goméia", ou da "raiz Goméia". A verdadeira Goméia, porém, não existe mais. Depois da morte de Joãozinho, em 1971, tanto o terreiro baiano, no bairro de São Caetano, como o terreiro fluminense, de Duque de Caxias, foram extintos.
Muitas pessoas saem de Inhambupe para fazer sucesso e outros lugares e até mesmo ficar famoso o que aconteceu com Joãozinho da Gomeia, e estão em vários canto do Brasil e do mundo, na proxima quarta feira Inhambupe irá fazer mas um ano.

Material tirado do site. http://br.geocities.com/umbandomble/entra/joaozinhodagomeia.html