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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida completa 300 anos

Multidão de romeiros se dirige ao complexo que abriga a Basílica, em Aparecida, no Vale do Paraíba; romeiros caminham até 500 km para agradecer à santa

A cidade de Aparecida, no Vale do Paraíba, a 170 km de São Paulo, celebra nesta quinta-feira, 12, uma data especial: há 300 anos, pescadores encontraram no rio Paraíba do Sul a imagem de Nossa Senhora Aparecida, santa que se tornaria um dos principais símbolos da fé católica no Brasil – desde 1980, é, por lei, a padroeira nacional – e daria origem a um dos maiores centros de peregrinação católica do país, além de inspirar o feriado nacional que se comemora hoje.

A previsão é que o complexo que abriga a Basílica de Nossa Senhora Aparecida receba cerca de 700 mil pessoas neste feriado. “Só amanhã [dia 12], a gente espera um público de 200 mil visitantes”, afirmou o padre José Inácio de Medeiros, superior provencial dos redentoristas de São Paulo, congregação que administra o santuário. “Estamos muito felizes porque identificamos um aumento de visitação de 25% no período da novena. Isso é muito bom.”

Segundo o padre, um dos responsáveis pela organização do jubileu, a Basílica precisou encomendar 200 mil hóstias para alimentar a fé de romeiros que vêm do país inteiro. Muitos deles vão ao santuário a pé, percorrendo distâncias de centenas de quilômetros, caminhando ao lado de rodovias movimentadas como a via Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro e é o principal acesso a Aparecida.

Quem veio de longe também foi a família Passos. Ivanilde dos Passos, 62 anos, se deslocou de Florianópolis com os filhos, o marido, a cunhada e a sobrinha para prestar homenagens a Nossa Senhora Aparecida pelo 15º ano seguido. “Comecei a vir porque tinha um problema na perna. E, depois que alcancei a graça [ficar curado], não parei mais”, disse a aposentada.
Luciene dos Passos, 36 anos, filha de Ivanilde, afirmou que a fé da mãe é contagiante. “Depois que ela começou a vir, a família inteira agora também vem. A gente herdou isso tudo dela”, disse. Já a sobrinha, Narcisa Lucia Martins, veio por um motivo a mais. “Depois que meu filho melhorou da doença que tinha, nunca mais deixei de vir para agradecer à nossa mãe”, afirmou.
Também foi por causa dos filhos que Êndrica Chagas passou a vir todo ano para a festa da padroeira. Ela, o marido e as duas filhas vieram de ônibus de Cariacica (ES). “O médico tinha dito que eu não iria engravidar. Depois que consegui, nunca deixei de vir aqui agradecer a Nossa Senhora, porque sempre rezei muito para ela”, disse. Ela batizou as filhas de Maria Alice e Maria Helena em homenagem à santa – a denominação Nossa Senhora se refere a Maria, mãe de Jesus Cristo.

Pé na estrada

Tem quem venha de carro, como Wanderlei, de ônibus, como Êndrica, e quem percorra distâncias tão grandes quanto, mas a pé. O fotógrafo David Borges, 24 anos, é de Sertãozinho e realizou a viagem de cerca de 500 km em 17 dias, carregando uma pesada mochila nas costas. Ele acompanhou um amigo que veio cumprir uma promessa. “O maior perrengue foram as dores. É muito longe, né?”, afirmou. “Minha mãe é evangélica, mas  minha avó é muito católica, então, dedico essa conquista a ela. Vou repetir sempre essa caminhada agora”, promete.
Chama também a atenção o número de pessoas que chegam antes à cidade e decidem acampar pelos gramados próximos à Basílica para esperar o dia da festa da padroeira do Brasil. É o caso da família Carmo, que veio de Lafaiete (MG) e praticamente montou uma casa no acampamento, com direito até a uma cozinha improvisada.
Fonte: http://veja.abril.com.br/brasil/padroeira-do-brasil-nossa-senhora-aparecida-completa-300-anos/