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domingo, 2 de novembro de 2014

Dia de Finados

Foto: Alain Rolli - Fonte: Getty Images Brasil

Hoje, no Brasil, temos o chamado dia de finados. Para muitos, é um dia muito triste, onde a lembrança das pessoas queridas que se foram traz o aperto no peito da saudade, da falta, das palavras que ficaram por serem ditas e dos abraços que foram perdidos. Sem sombra de dúvidas, é impossível mensurar o sentimento que cada pessoa sente diante da perda de um ente querido. E cada um terá um jeito de lidar com isto. Uns choram, outros se calam, uns rezam, outros levam flores aos túmulos. Cada um, a seu modo, lembra da pessoa que se foi.









Pensando na tristeza que o dia de hoje traz à vida das pessoas, me lembrei de um documentário que assisti há muitos anos atrás, sobre “El día de los muertos”, um feriado semelhante ao nosso que acontece no México. A data tem o mesmo significado: lembrar-se dos que se foram. A grande diferença consiste na forma como esta celebração acontece. Lá se festeja o dia com bastante alegria. Se não me falha a memória, as famílias iam até os cemitérios levando as comidas e as músicas favoritas do falecido e festejavam ali a vida que aquela pessoa teve. O impacto das diferenças culturais é bem chocante e não estou aqui sugerindo que você saia por aí, dançando e festejando nos nossos cemitérios, é claro, mas penso que podemos absorver algo desta tradição, se isto nos for útil e possível. Como disse anteriormente, cada um de nós vive o luto de uma forma diferente e, ao olhar esta tradição mexicana, penso que se abre uma nova possibilidade de viver este luto. É apenas uma possibilidade. Uma possibilidade que não é mais certa ou mais errada do que as que vivemos por aqui, apenas diferente. E quem sabe, pode ser uma possibilidade para você.





Inspirando-me nesta tradição mexicana, eu deixo algumas sugestões de como incorporá-los a nossa forma de viver aqui no Brasil. Podemos por exemplo, nos reunir em família e cada um de nós, contar uma história sobre a pessoa querida que estamos nos propondo a relembrar. Podemos ouvir suas músicas favoritas, podemos trazer fotografias de momentos marcantes e podemos passear por onde passeávamos com esta pessoa. A emoção é sempre bem-vinda, é claro, e se sentimentos tristes e difíceis surgirem, acolha-os também e respeite-os. E se as palavras que você gostaria de ter dito para sua pessoa querida aparecem, acolha-as também. Escreva-os num papel como uma carta para ela, ou quem sabe, transforme-as numa poesia, numa música, numa pintura ou num desenho. Quem sabe, seja possível transformar a dor em algo nutritivo que te fortaleça e que faça da saudade um combustível para a vida.






E se o seu momento for o da dor, pura e simplesmente, ele também é muito legítimo e também pode ser uma homenagem muito bonita. Recentemente, eu também passei por perdas significativas em minha vida e sempre que a tristeza vinha ( e às vezes, ainda vem ) eu procuro pensar que aquele (a) que um dia teve todo o meu amor merece também todas as minhas lágrimas. Essa é apenas a minha experiência, mas pode ser que ela acalente o seu coração neste dia.